quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Waterbucks na Napi Road


Antes de entrar na estrada para Transport Dam nós vimos três fêmeas de waterbuck ao lado da estrada, em meio ao capim. Uma delas pode ser vista na imagem abaixo.


Como os Búfalos Africanos, waterbucks não estão ameaçados, mas suas populações estão em declínio. Embora tenham “water” como sufixo em seu nome vulgar em inglês, estes grandes antílopes não são realmente aquáticos, e nem estão tão confortáveis assim na água. Eles têm esse nome porque se refugiam na água para escapar de predadores. No entanto, este uso da água pode ter levado a adaptações, se interpretarmos a secreção oleosa e de cheiro forte que cobre sua pelagem como desempenhando a função de impermeabilização. Waterbucks mais velhos são evitados por predadores porque sua carne tem um odor desagradável, resultante da secreção impermeabilizadora de suas glândulas sudoríparas. Predadores tendem a preferir, então, outras presas. Provavelmente porque cheiro ruim usualmente significa comida desagradável, até venenosa, tóxica, ou algo similar, comumente se pensa que a carne de waterbuck não é comestível. Isso não é verdade, sua carne é segura para se comer. Não encontramos para comê-la nos restaurantes do Kruger, mas na Wikipedia, alguém informa que não é especialmente saborosa.

Waterbucks habitam áreas próximas à água em campos savânicos, florestas de galeria e florestas ribeirinhas. Nestes habitats, eles têm comida suficiente, propiciada pelas longas gramíneas, e também encontram locais alagados para escapar de predadores. É interessante o fato de que eles consomem espécies de gramíneas ásperas, raramente comidas por outros pastadores, e ocasionalmente comem folhas de certas árvores e arbustos.

Eles são animais principalmente sedentários e territoriais. Jovens machos formam manadas, mas à medida que amadurecem, assumem comportamento mais territorial. No entanto, eles não marcam com odores seus territórios. Fêmeas são encontradas em manadas, mas de formação tão frouxa que não são realmente grupos sociais, mas somente grupos de indivíduos com áreas domiciliares superpostas. É fácil diferenciar machos de fêmeas, porque estas são menores e não têm cornos.

Nesta segunda foto, uma grande contribuição para o calendário de bundinhas animais.


O traseiro do waterbuck é um alvo! Apenas um animal com tantas estratégias de evitação de predadores poderia ter um alvo no traseiro! Brincadeira. Aqui está uma lenda africana bem legal sobre como waterbuck obteve seu círculo brancohttp://bookbuilder.cast.org/view_print.php?book=5272

Temos esta lenda num livro de lendas africanas que compramos no Kruger. Livro fantástico! Minha filha tem agora apenas 4 meses de idade. Tão logo ela possa compreender mais, estou ansioso para ler as lendas para ela.

Na lenda, curiosamente encontramos uma explicação funcional para o anel branco: ele é útil porque se destaca no escuro e os animais jovens podem seguir sua mãe até a segurança da floresta! Esta é de fato uma explicação aceita para a função do anel branco. Ele é uma marcação "me siga" (“follow me” marking), encontrado regularmente entre mamíferos, que permite que os animais sigam uns aos outros, em particular, que animais jovens sigam suas mães. Este é, então, um belo exemplo do conhecimento tradicional e do conhecimento científico em concordância!

Em termos evolutivos, temos de imaginar populações de waterbucks variantes, alguns mostrando marcas, outros não, e a vantagem seletiva dos animais que exibiam marcas levando a maiores chances de sobrevivência e reprodução bem sucedidas. Certamente, não podemos imaginar uma marca tão simétrica aparecendo de uma só tacada, mas seu gradual estabelecimento através de várias gerações de waterbucks. É sempre bom pensar em evolução na frente de animais tão diversos e belos!

Before entering the road to Transport Dam we saw 3 female waterbucks by the road, in between the grass. We can see one of them in the first picture. 

As African Buffalos, waterbucks are not threatened, but their populations are declining. Even though they have “water” as a suffix, these big antelopes neither are really aquatic nor are at home in water. They have this name because they take refuge in water to escape predators. However, this use of water may have led to adaptations, if we interpret the smelly, oily secretion that covers their fur as playing the function of waterproofing.  Older waterbucks are also avoided by predators because their meat has an unpleasant odor, resulting from the waterproofing secretions of its sweat glands. Predators tend to prefer, then, other preys. Probably because bad smell usually means unpleasant food, poisonous, toxic, or something like that, it is commonly thought that waterbuck meat is not edible. This is not true, the meat is safe to eat. We didn’t find it to eat in the Kruger restaurants, but in Wikipedia, one says that it is not especially tasty. 

Waterbucks do inhabit areas close to water in savannah grasslands, gallery forests and riverine woodlands. In these habitats, they have enough food, provided by long grasses, but also find watery places to flee from predators. It is interesting that they consume coarse grass species seldom eaten by other grazers, and occasionally browse leaves from certain trees and bushes.

They are mostly sedentary and territorial animals. Young males form herds, but as they mature, they turn into more territorial behavior. However, they do not scent-mark their territories. Females are found in herds, but so loosely formed that they are not really social groups, but just groups of individuals with overlapping home ranges. It is easy to differentiate females from males, because they are smaller and exhibit no horns.

In the second picture, we see another great contribution to the animal butts calendar.

The waterbuck back is a target! Well, only an animal with so many predator avoidance strategies could have a target at its back! Just kidding. Here is a very nice African tale about how the waterbuck got its white circle: http://bookbuilder.cast.org/view_print.php?book=5272

We have this tale in a book of African tales we bought in the Kruger. Fantastic book! My daughter has now just 4 months. As soon as she can understand more, I am eager to read the tales to her.

In the tale, we curiously find a functional explanation for the white ring: it is useful because it shows up in the dark and the young ones are able to follow their mother to the safety of the forest! It is indeed an accepted explanation for the function of the white ring. It is a “follow me” marking, regularly found in mammals, which allows animals to follow each other, particularly young animals following their mothers. This is, then, a nice example of traditional and scientific knowledge in agreement! 

Evolutionarily, we have to figure out populations of variant waterbucks, some showing markings, other not showing, and the selective advantage of the animals showing markings leading to greater chances of successful survival and reproduction. Surely, we cannot figure out such a symmetrical marking appeared at once, but its gradual building up through several generations of waterbucks. It is always nice to think of evolution in front of diverse and beautiful animals!

domingo, 16 de setembro de 2012

Loop Napi (S11) e mamíferos na Napi Road


Ainda em 5 de Janeiro de 2011, nosso segundo dia completo no Kruger, indo de Pretoriuskop para Skukuza pela Napi Road.

S11, o loop Napi, é apenas um desvio curto da Napi Road, mas é legal deixar o asfalto por um tempo e seguir por uma estrada de terra. Ali vimos apenas 2 Estorninhos-metálicos, 1 Rola do Cabo e 1 Drongo-de-cauda forcada (Dicrurus adsimilis). O melhor foi ver o afloramento surpreendente de Napi Boulders, com as duas rochas acima. Perguntei a Haroldo Sá a este respeito e ele me disse que são provavelmente resultado de erosão. Eu li que corujas podem ser vistas ali no crepúsculo, mas passamos por ali longe desse horário. Há uma placa no local como um memorial a Justice J. F. Ludorf, que foi Presidente do Conselho dos Parques, que morreu em 1978. Seguem duas fotos de Napi Boulders. Gosto muito da foto com as duas rochas suspensas e a ave voando entre elas.




Voltamos então a Napi Road, a caminho do Reservatório Transport.  Até a entrada da estrada de terra que leva ao reservatório, nós vimos mais 3 Estorninhos-metálicos, 1 Escrevedeira-de-peito-dourado (Emberiza flaviventris), 2 Picanço-rabilongo (Corvinella melanoleuca), 2 Búfalos Africanos, 1 Drongo-de-cauda-forcada, 1 Tartaruga Leopardo (Stigmochelys pardalis) e 
3 fêmeas de Waterbucks (Kobus ellipsiprymnus).

Nesta imagem, vemos a Escrevedeira-de-peito-dourado em pleno canto. Esta ave tem uma população estável, sendo classificada como Least Concern na Lista Vermelha da IUCN. No entanto, ela é regularmente capturada ilegalmente pelo tráfico de animais.


Aqui, meio oculto na folhagem, nosso primeiro Picanço-rabilongo, que considero uma ave fascinante, que ainda encontraríamos muitas vezes em nossa viagem. Embora também classificado como Least Concern na Lista Vermelha, a tendência populacional é de declínio. Há três populações separadas desta ave na África, uma no Quênia e Tanzânia, outra em Malawi e norte de Moçambique, e, finalmente, a maior população estendendo-se de Angola e Zâmbia até o sul da África. Ele pode ser encontrado em ambientes selvagens e em jardins suburbanos e parques urbanos. É um insetívoro versátil, com uma variedade de técnicas de forrageamento. Talvez este que vimos estava usando uma das técnicas, pousado numa posição proeminente,  buscando um item alimentar e então mergulhando para capturá-lo quando localizado.


Então encontramos dois búfalos africanos ao lado da estrada, um encontro muito mais próximo do que o nosso anterior, com um búfalo escondendo-se da chuva. Quando estamos diante deles, fica bem distinto o sentimento de que estes são animais poderosos. Não surpreende que lutem até mesmo com leões! Na foto abaixo, podemos ver como era bonito o cenário como um todo, com os búfalos em meio à savana florestada.



As duas fotos que seguem mostra um dos grandes búfalos. Numa delas, um detalhe de seus cornos. Estes são cornos enormes e certamente são parte da razão pela qual búfalos atraem nossa imaginação. Eles são realmente armas formidáveis contra predadores e para disputas dentro da manada, seja por espaço ou por dominância. Notem também como o búfalo estava coberto de lama, para proteger-se do sol. Nós já havíamos visto quatro dos cinco grandes (big five) na viagem, uma vez que já havíamos visto um leão, alguns rinocerontes, 5 elefantes, e agora três búfalos. Infelizmente, terminaria por aí, porque não tivemos a sorte de ver um leopardo em toda a viagem. 





Uma coisa podemos dizer com certeza: eles têm faces assustadoras! Vejam a olhada que ele nos deu!


Estávamos sempre procurando situações interessantes de um ponto de vista comportamental. Por esta razão, sempre que podíamos ficávamos 20, 30 min. observando os mesmos animais. Nós fizemos isso com os búfalos e conseguimos admirar uma sessão inteira de coceira contra os arbustos. O búfalo parecia estar gostando. É compreensível: é sempre bom livrar-se de alguns parasitas.



Finalmente, outra piada interna da viagem. Decidimos construir um calendário de bundinhas animais. Esta é uma boa imagem para… digamos… Fevereiro.



Na décima foto um dos búfalos com um Drongo-de-cauda-forcada acima dele.



Resta ainda disponibilizar uma informação chave. Búfalos Africanos não estão ameaçados, de acordo com a Lista Vermelha da IUCN, mas suas populações estão em declínio.


Still January 5th 2011, second full day in Kruger, going from Pretoriuskop to Skukuza by the Napi Road.

S11, the Napi Loop, is just a short detour from Napi Road, but it is great to leave the tar for a while to follow a gravel road. There we saw just 2 Cape Glossy Starlings, 1 Cape Turtle-Dove  and 1 Fork-tailed Drongo (Dicrurus adsimilis). The great thing was to see the surprising outcrop of Napi Boulders, with the two rocks on top. I asked Haroldo Sá about it and he told me that is probably the result of erosion. I read owls can be seen there at dusk, but we were still far from that time when we passed by. There is a plaque there as a memorial to Justice J. F. Ludorf, former Parks Board Chairman, who died in 1978. The first two pictures are of the Napi Boulders. I like very much the picture of the two suspended rocks with the bird flying in between.


Then we came back to Napi Road, on our way to Transport Dam. Up to the entrance to the gravel road leading to the dam, we saw more 3 Cape Glossy Starling, 1 Golden-Breasted Bunting (Emberiza flaviventris), 2 Magpie (African Longtailed) Shrikes (Corvinella melanoleuca), 2 African Buffalos, 1 Fork-tailed Drongo, 1 Leopard Tortoise (Stigmochelys pardalis), and
3 female Waterbucks (Kobus ellipsiprymnus).

In the third picture, we can see the Golden-Breasted Bunting in full singing. This bird has a stable population, being classified as Least Concern in the IUCN Red List. However, it is regularly captured illegally for animal traffic.

In the fourth picture, half hidden in the foliage, our first Magpie Shrike, which I think it is a fascinating bird, which we would still encounter many times in our trip. Although also Least Concern in the Red List, the population trend shows a decline. There are three separate populations of this bird in Africa, one in Kenya and Tanzania, another in Malawi and northern Mozambique, and, finally, the largest one from Angola and Zambia to southern Africa. It can be found both in the wild and in suburban gardens and town parks. It is a versatile insectivore, with a variety of foraging techniques. Maybe the one we saw was using one of the techniques, to perch in a prominent position, searching for a food item and then diving to catch it when localized. 

Then we found two African Buffalos by the road, a much closer encounter than our previous one, with a Buffalo hidden from the rain. When we are in front of them, it is quite clear the feeling that these are powerful animals. No surprise they even fight lions! In the fifth picture we can see how beautiful the scenery as a whole was, with the buffalos in the middle of savannah woodland.

The following two pictures show one of the massive buffalos, and then a detail of its horns. These are huge horns and they are certainly part of the reason why Buffalos capture our imagination. They are really formidable weapons against predators and for disputes within the herd, either for space or for dominance. Notice, also, how the buffalo was covered in mud, to protect from the sun. We had already seen four of the big five in the trip, since we had already seen a lion, some rhinos (not disclosed here to avoid giving information for poaching), five elephants, and now three buffalos. Unfortunately, that would be it, since we didn’t have the luck of spotting a leopard in the whole trip. 


One thing we can say for sure: they have scary faces! See in eighth picture the gaze he gave us!

We were always looking for behaviorally interesting situations. For this reason, whenever we could, we would stay 20, 30 min. watching the same animals.  We did so with the buffalo and could admire a whole session of scratching against the shrubs. The buffalo seemed to be enjoying. It is understandable: it is a good thing to get rid of some parasites.

Finally, another inside joke of the trip.  We decided to build a calendar of animal butts. Maybe the ninth picture is a good one for… let’s say… February.

In the tenth picture one of the Buffalos with a Fork-Tailed Drongo above it.

We need to just provide, then, a key information. African Buffalos are not threatened, according to the IUCN Red List, but their populations are declining.

sábado, 8 de setembro de 2012

Aves na Napi Road (H1-1)

Deixando Shitlhave Dam, seguimos a Napi Road novamente até alcançar o curto loop Napi (S11). Foi uma parte rica da estrada para observação de aves. Nesse pequeno pedaço da estrada, nós vimos: 1 Cotovia-de-nuca-vermelha (Mirafra Africana), 1 Viúva-de-colar-vermelho (Euplectes ardens), 1 Rolieiro-europeu (Coracias garrulus) , 1 Tecelão-parasita (Anomalospiza imberbis), 1 Martim-pescador riscado (Halcyon chelicuti), e 1 Drongo-de-cauda-forcada (Dicrurus adsimilis).

Da Napi Road, uma coisa bonita de se ver é o reservatório Shilthave cercado pela savana.



Abaixo uma foto de uma Cotovia-de-nuca-vermelha chamando por outras cotovias ao redor. Não é uma boa foto, mas o comportamento é interessante. Não consegui resistir. Esta é uma bela ave, ainda bem não ameaçada (Least concern na Lista Vermelha do IUCN, mas com população em declínio).



Rolieiro-europeus foram muito comuns durante toda a viagem que, ao final, nem estávamos mais fotografando-os. Nós tínhamos muitas piadas nossas durante a viagem. Uma delas vinha à tona quando eu pedia para pararmos para mais uma foto de Rolieiros-europes (após centenas delas) e Carol e Peu gritavam, “De novo não!”





Mas elas são belas aves, não? Se eu retornar ao Kruger no inverno, quando eles não estão por lá, certamente sentirei falta deles. Rolieiros-europeus estão distribuídos fora da época de procriação na África sub-saariana, enquanto procriam em vários outros locais, como Marrocos, Espanha, Polônia, Sibéria e Índia. Embora ainda seja comum, está classificado como Near threatened na Lista Vermelha da IUCN, com populações em declínio. Assim, devemos ficar contentes de termos visto tantos no Kruger. Esta ave tem uma distribuição esparsa, mostrando preferência por biomas de savana, principalmente de folhas largas e ambientes florestados com acácias.

O que ele está fazendo naquele ramo? Provavelmente caçando. Ele se alimenta principalmente de insetos voadores (cupins alados, besouros, gafanhotos), esperando por eles pousado e lançando-se sobre eles quando se aproximam.

A foto abaixo é a única que tiramos do Tecelão-parasita que vimos na Napi Road. A partir das discussões que travamos sobre este avistamento no fórum da Sanparks, fiquei com a impressão de que é um animal relativamente raro de se ver. De qualquer, é uma ave tão bela que ousei colocar aqui esta foto única e não tão boa.


Esta ave é classificada como Least Concern na Lista Vermelha da IUCN, com populações estáveis. Assim, não está realmente ameaçada, o que é muito bom! Ele mostra hábitos diversificados, podendo ser residente, nômade ou migratório, podendo se mover em grupos de 8-50 aves, às vezes mais de 1000 aves, buscando áreas em que tenha chovido recentemente. Esta era uma ave solitária, até onde pudemos ver. 

Esta  ave se alimenta principalmente de grama, raramente de insetos. Finalmente, a coisa mais notável sobre os tecelões-parasitas é que eles são parasitas de ninhos, colocando ovos nos ninhos de outras aves, poupando cuidado parental. Eles parasitam várias espécies de Cisticola e também espécies de Prinia. Primeiro, a fêmea remove um ou todos os ovos dos hospedeiros e então coloca um único ovo no ninho parasitado. Usualmente, ela parasita quatro ninhos no espaço de uns poucos dias.

À medida que seguíamos a estrada, a chuva estava se tornando cada vez mais provável. Olhem o céu escuro por trás do Drongo-de-cauda-forcada, o primeiro de muitos que vimos no Kruger.


Esta ave também não está ameaçada, com populações estáveis. O aspecto mais interessante de sua biologia é que ele é um cleptoparasita, roubando comida de outras aves e até mesmo mamíferos, como suricatos. Quando visitarmos Kgalagadi no próximo ano, espero que possamos ver drongos pousados sobre suricatos forrageando, tentando roubar sua comida. Eles mimetizam chamados de alarme dos suricatos para criar confusão e então roubam a comida. Isso seria algo muito bom de ver. No Kruger, infelizmente, não vimos qualquer evento de roubo dos drongos, evidentemente não de suricatos, que não são encontrados ali, mas de outras aves.

Leaving Shitlhave Dam, we followed Napi Road again until reaching  the short Napi loop (S11). It was a rich part of the road for birding. In this small part of the road, we saw: 1 Rufous-naped Lark (Mirafra Africana), 1 Red-Collared Widowbird (Euplectes ardens), 1 European Roller (Coracias garrulus) , 1 Cuckoo Finch (Anomalospiza imberbis), 1 Striped Kingfisher (Halcyon chelicuti), and 1 Fork-tailed Drongo (Dicrurus adsimilis).

One nice thing is to see Shitlhave Dam surrounding by the savannah from Napi Road.

Here is a picture of the Rufous-naped Lark calling for other larks around. Not a good picture, but an interesting behavior. I cannot resist. This is a nice bird, thankfully not threatened (Least concern in the IUCN Red List, but with declining population).


European rollers were so common during the whole trip that by the end we were not photographing them anymore. We had many inside jokes during the trip. One of them was raised every time I asked to stop for one more picture of European Rollers (after hundreds of them) and Carol and Peu would shout at me, “Not again!”


But they are nice birds, aren’t they? If I come back to Kruger in winter, when they’re not there, I will certainly miss them. European rollers have their non breeding distribution in sub-Saharan Africa, while it breeds in several other places, such as Morocco, Spain, Poland, Siberia and India. Although it is still common, it is classified as Near threatened in the IUCN Red List, with decreasing populations. Thus, we should be happy we saw so many of them in Kruger. This bird has a scattered distribution, showing preference to savannah biomes, mainly broad-leaved and Acacia woodland.


What is he doing in that branch? Probably hunting. It feeds mainly on flying insects (termite alates, beetles, locusts), waiting for them perched and pouncing on them when they get close.

The picture below is the only one we got from the Cuckoo Finch we saw in Napi Road. From our discussions on this sighting in the Sanparks forum, I’ve got the impression that it is a somewhat rare sighting. Anyway, it is such a nice bird that I dare put here this not so good (but single) picture.

This bird is classified as Least Concern in the IUCN Red List, with stable populations. Thus, not really threatened, what is great! It shows diversified habits, it can be resident, nomadic or migratory, it can move in flock of 8-50 birds, sometimes over 1000 birds, looking for areas where rain recently fell. This was a lone bird to the extent that we could see. 

This bird mainly feeds on grass, rarely insects. Finally, the most outstanding thing about cuckoo finches is that it is a brood parasite, laying eggs in other birds’ nests, saving in parental care. It parasitizes several species of Cisticola and also species of Prinia. First, the female removes one or all of the host’s eggs and then lay a single egg in the parasitized nest. Usually it parasites four nests in the space of a few days.

As we followed the road, rain was becoming more and more probable. Look at the dark sky behind the fork-tailed drongo, the first of many we saw in Kruger.

It is also a not threatened bird, with stable populations. The most interesting feature of its biology is that it is a kleptoparasite, stealing food from other birds and even mammals, such as meerkats. When we visit Kgalagadi next year, I hope we can see drongos perching over foraging meerkats trying to rob their food. They mimick the meerkat’s alarm call to create confusion and then steal the food. That would be a great thing to see. In Kruger, unfortunately, we did not see any stealing event of drongos, evidently not of meerkats, not found there, but of other birds.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Uma grande surpresa no caminho de Shilthave Dam

Então, nós entramos na estrada de Shitlhave Dam... e subitamente ouvi Pedro gritar. Ali estava ele, um leão (Panthera leo) andando na nossa direção, visivelmente incomodado por vários carros que o seguiam. Conhecíamos então a faceta lotada do sul do Kruger. Ele parecia um velho macho, que fora acordado por todas aquelas pessoas. Nós vimos muitos leões posteriormente sem tantas pessoas os incomodando, mais ao norte do parque. Mas naquele ponto altamente visitado, ele estava simplesmente danado. Então,  subitamente ele parou e se virou rumo a um carro. Oops, o que ele faria, nós pensamos diante da cena. Mas ele simplesmente girou em torno de si mesmo, como um gatinho pequeno, e deitou tentando dormir. Sim, ele estava sonolento. Não é surpreendente, leões machos dormem até 20 horas por dia! Mas era difícil dormir com tanta gente ao redor. Assim, ele veio rumo ao nosso carro, passou bem ao meu lado (como uma das fotos mostra) e desapareceu entre as árvores, tentando achar um lugar para tirar seu cochilo em paz. Wow, isso foi demais... fizemos piadas de que era um leão treinado que fugira de um circo.. Apenas piadas.... É este tipo de situação assombrosa que o Kruger nos oferece. Aqui seguem as fotos. 

So, we entered Shitlhave Dam road… and, suddenly, I hear Pedro shout. There he is, a lion (Panthera leo) walking towards us, visibly annoyed by several cars following him. We knew then the crowded face of South Kruger. He looked like an old male, who was woken up by all those people. We saw many lions afterwards without so many people annoying them, up north in the park. But at that highly visited point, he simply looked pissed off. Then, he suddenly stopped and turned towards a car. Oops, what would he do, we considered amazed by the scene. But he simply went round himself, like a small cat, and laid down to try to sleep. Yes, this guy was sleepy.  Not surprising, male lions sleep up to 20 hours per day! But it was difficult to sleep with so many people around. So, he came by our car, passed just besides me (as one of the pictures show) and disappeared among the trees, trying to find a spot to take his nap in peace. Wow, that was something… We made jokes that he was a trained lion that escaped from a circus… but it was just jokes… this is the kind of amazing situation that Kruger offers us. Here is the sequence of pictures.

Este leão estava realmente cercado por carros.

This lion was really surrounded by cars.



Aqui está ele se virando.. Ele fará algo com as pessoas no carro? Não, só girando para tentar dormir como se fosse um gatinho... Obviamente, não é nada do tipo!

Here he is turning back… Will he do something with the people in the car? No, just going round to sleep as if he was a small cat… obviously, nothing of the sort!






Ele ainda estava incomodada. Uma nova solução tinha de ser encontada: ir para longe dessas pessoas!

He was still annoyed. A new solution had to be found: go away of all these people!



Então ele veio na nossa direção e passou bem ao meu lado, quando tirei a terceira foto abaixo, com a janela abaixada, claro.

Then he just came in our direction and passed just besides me, when I took the third picture below, with the window down, surely.





E então ele se foi.

And then he went away.



Nós estávamos chocados,  mas continuamos a manter a atenção voltada para outros animais. Nós vimos na estrada e no reservatório: 1 garça cinzenta (Ardea cinerea), 2 gansos egípcios (Alopochen aegyptiaca), 1 corvo-marinho africano (Phalacrocorax africanus), 1 abibe-preto-e-branco (Vanellus armatus), 6 Patos-assobiadores-de-faces-brancas (Dendrocygna viduata). Aqui está uma foto da garça cinzenta (a uma grande distância) e outra de um dos patos-assobiadores (em meio à grama).

We were blown away, but continued to be attentive to other animals. We saw in the road and the dam: 1 Grey Heron (Ardea cinerea), 2 Egyptian Geese (Alopochen aegyptiaca), 1 Reed Cormorant (Phalacrocorax africanus), 1 Blacksmith Lapwing (Plover) (Vanellus armatus), 6 White-Faced Ducks (Dendrocygna viduata). Here are a picture of the grey heron (from a large distance) and another of one of the white-faced ducks (among the grass).



Por fim, uma visão do reservatório Shitlhave.

Finally, here is a view of Shitlhave Dam.


terça-feira, 4 de setembro de 2012

January 5th - Into Napi Road (H1-1)


Acordamos cedo no dia 5 de Janeiro para nosso segundo dia completo no Kruger. Após o café da manhã no restaurante do campo, saímos para um passeio por Pretoriuskop, com suas cabanas bonitas e árvores interessantes, como a Sausage Tree das fotos abaixo. Na primeira, a árvore entre duas cabanas, na segunda, detalhe do fruto. Este é um fruto enorme e há sinais avisando "cuidado com frutos de sausage tree em queda". É um bom aviso!



Não levamos muito tempo, contudo, para tomar a estrada para Skukuza, o campo para onde nos mudaríamos naquele dia. Subimos a Napi Road (H1-1), com um pequeno desvio por um dos loops ao redor de Pretoriuskop (S14). Vimos somente um ninho de tecelão no loop e tomamos o asfalto de Napi Road novamente, a caminho de Skukuza.

Na Napi Road, vimos até a entrada de Shitlhave Dam: 1 Kudu (Tragelaphus strepsiceros), 1 Estorninho grande de orelha azul - Greater Blue-eared Starling (Lamprotornis chalybaeus), 1 Rola-do-Senegal (Streptopelia senegalensis), 1 Rola-do-Cabo (Streptopelia capicola) and 1 Codorniz-arlequin Quail (Coturnix delegorguei). Na curta estrada de terra até Shitlhave Dam, teríamos uma grande surpresa. Mas isso é assunto para outra postagem!

Uma coisa que nos impressionou na Napi Road foram as primeiras árvores com a casca comida por elefantes que vimos. Foram as primeiras de muitas. Elas são um testemunho da capacidade dos elefantes de mudar a paisagem. De fato, elefantes são bem conhecidos como engenheiros de ecossistemas nas savanas africanas, isto é, eles reconstroem a paisagem alterando as condições de vida de muitas outras espécies. Esta é uma das razões pelas quais uma grande população de elefantes, como temos no Kruger agora (mais de 13.000 elefantes), acarreta preocupações. Matar elefantes é uma solução muito controversa (ver Van Aarde, R. et al. Culling and the dynamics of the Kruger National Park African Elephant population. Animal Conservation (1999) 2:287-294). Pessoalmente, sou contrário a ela, embora certamente compreenda como este é um dilema difícil em termos do manejo. Se a ideia de fazer outro parque transfronteiriço (como Kgalagadi) combinando o Kruger e parques em Moçambique se tornar realidade, grande parte do problema poderá ser resolvido. De qualquer modo, este é um caso que mostra quão complicada pode ser a conservação se parques fechados forem a única ou mesmo a principal opção, como se tornou através de todo o mundo.


Finalmente, esta última foto mostra um Estorninho grande de orelha azul - Greater Blue-eared Starling. Acho que foi a única vez que vimos essa ave na viagem. Ela não está ameaçada de extinção e forrageia em árvores e no chão. Era isso que ela estava provavelmente fazendo na estrada de asfalto, procurando comida, que pode ser insetos, frutos e pequenos invertebrados (como aqueles saborosos rola-bosta tão abundantes nas estradas do Kruger).



We woke up early in January 5th for our second full day in Kruger. After breakfast in the camp restaurant we went to a stroll around Pretoriuskop, with its beautiful huts and interesting trees, like the sausage tree in the pictures below. In the first, the tree between two huts, in the second, a detail of the fruit. This is a huge fruit and there are signs saying “beware of falling sausage tree fruits”. Good warning!

We didn’t take long, however, to follow the road to Skukuza, the  camp wo which we would change that day. We went up Napi Road (H1-1), a tar road, with a short detour through one of the loops around Pretoriuskop (S14). We saw just a weaver’s nest in the loop and drove the tar of Napi Road once again in the direction of Skukuza.

In Napi Road, we saw up to the entrance to Shitlhave Dam: 1 Kudu (Tragelaphus strepsiceros), 1 Greater Blue-eared Starling (Lamprotornis chalybaeus), 1 Laughing Dove (Streptopelia senegalensis), 1 Cape Turtle-Dove (Streptopelia capicola) and 1 Harlequin Quail (Coturnix delegorguei). We were up to a great surprise when entering the short gravel road to Shitlhave Dam. But this is the topic for another posting!

One thing that impressed us in Napi Road were the first trees with the bark eaten by elephants that we saw. These were the first of many. They are a testimony to the elephants’ capacity to change the landscape. Indeed, elephants are well known as ecosystem engineers in the African savannah, that is, they rebuild the landscape altering the conditions of living of many other species. Sometimes this can be even critical to the environment and to other creatures. This is one of the reasons why a large elephant population, as we have in Kruger now (more than 13,000 elephants), leads to worries. Culling is a very controversial solution (see Van Aarde, R. et al. Culling and the dynamics of the Kruger National Park African Elephant population. Animal Conservation (1999) 2:287-294). Personally, I am against it, even though I certainly understand how difficult this management riddle is. If the idea of making another transfrontier park (as Kgalagadi) combining Kruger and parks in Mozambique becomes reality, a great deal of the problem might be solved. Anyway, this is a case that shows how tricky is conservation if enclosed parks become the only or even the main option, as it is becoming throughout the world.

Finally, the last picture shows a Greater Blue-eared Starling. I think it was the only time we saw this bird in the trip. It is not threatened by extinction and forages in trees and on the ground. That’s what he was probably doing in the tar road, looking for food, which can be insects, fruits and small invertebrates (such as those yummy dung beetles so abundant in Kruger roads).



sábado, 1 de setembro de 2012

Primeiro contato próximo com Elefante Africano - Voortrekker Road (H2-2)


O evento mais notável teve lugar, no entanto, no último terço da Voortrekker Road, quando vimos este maravilhoso elefante bem perto de nosso carro. Primeiro contato próximo com um elefante! Seria o primeiro de muitos!



Era um macho e tinha um furo redondo em suas orelhas, provavelmente resultado de confronto com outro macho. Era um macho errante solitário comendo calmamente sob uma árvore. Nós ficamos ali por um tempo olhando-o na mais completa paz e então aceleramos, sem ultrapassar a velocidade permitida, para alcançar o portão a tempo, chegando apenas alguns minutos antes da hora de seu fechamento. Ver aquele belo elefante foi o fechamento perfeito para um dia incrível viajando pela parte sul do Kruger. Fomos para a cama nos sentindo satisfeitos, tão felizes de estarmos ali, após um bom jantar no restaurante de Pretoriuskop, no qual comemos Kudu pela primeira vez. Estávamos em meio a uma das experiências mais sensacionais de nossas vidas! Eu e Carol já havíamos passado duas semanas maravilhosas na Cidade do Cabo, visitando lugares como o Cabo da Boa Esperança, onde vimos babuínos forrageando animais marinhos e as asas bravias ao redor do cabo enquanto admirávamos hyrax. E agora um dia desses! E ainda faltavam 12 dias!

The most outstanding event took place, however, in the last third of Voortrekker Road, when we saw this marvelous elephant quite close to our car. First close encounter with an ellie! It would be the first of many!

It was a male and had a rounded hole in his ears, probably the result of a fight with another male. It was a solitary wandering male calmly eating below a tree. We stayed there for a while peacefully looking at him, and then hurried up, without going beyond the allowed speed, to get to the gate in time, just a few minutes from the gate closing hour. To see that beautiful ellie was the perfect end of an incredible day travelling through the south park of Kruger. We went to bed feeling so satisfied, so happy of being there, after a good dinner at Pretoriuskop restaurant, in which we ate Kudu for the first time. We were in the middle of one of the most remarkable experiences of our lives. For Pedro, that was just the second day in South Africa. And what a day! Carol and me had already lived two wonderful weeks in Capetown, visiting places like the Cape of Good Hope, where we saw baboons foraging sea animals and the raging waters around the cape while admiring rock hyrax. And now a day like that! And we still had 12 days to go!

Magpie Shrike na Voortrekker Road (H2-2)


Na foto abaixo, vemos um Magpie Shrike. É uma ave notável, com sua bela cauda longa. É provável que esta ave estivesse forrageando ao final do dia, uma vez que frequentemente ela se coloca numa posição proeminente como esta em busca de um item alimentar, principalmente insetos. Quando ela vê algo que pode ser comida, uma variedade de técnicas de forrageamento pode ser usada, mas tipicamente a ave mergulha para o solo de modo a capturar o alimento.


É interessante que Magpie shrikes podem procriar como um par ou facultativamente de maneira cooperativa, com os parceiros reprodutores sendo ajudados por 1-3 indivíduos, usualmente juvenis da ninhada anterior. Eles mostram, portanto, cuidado aloparental facultativo. Estas aves não estão ameaçadas (Least Concern na Lista Vermelha da IUCN), mas as populações estão em declínio.

In the picture above, we see a Magpie Shrike. It is an outstanding bird, with its beautiful long tail. It is likely that this bird was foraging at the end of the day, since it often perches in a prominent position to search for a food item, mainly insects. When it sees something that can be eaten, a variety of foraging techniques can be used, but typically the bird dives to the ground to catch the food item.

It is interesting that magpie shrikes can breed just as a pair or facultatively in a cooperative manner, with the breeding pair assisted by 1-3 helpers, usually juveniles from the previous brood. It shows, thus, facultative alloparental care. These birds are not threatened (Least Concern in the IUCN Red List), but the populations are decreasing in number.